terça-feira, 17 de agosto de 2010

ENTREVISTA COM RAUL SEIXAS - 1973

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O Pasquim - Você surgiu publicamente com Ouro de Tolo. Mas nós queremos que você conte o seu início, desde o princípio mesmo.
Raul Seixas - Vamos ver. Vamos voltar a 1959. Eu tinha um conjunto de rock, lá em Salvador. Foi o primeiro conjunto de rock que surgiu lá em Salvador. Eu morava perto de uns garotos do consulado, e eles me apresentaram uns discos de rock...
O Pasquim - Qual consulado?
Raul Seixas - O americano. Tava aquela coisa acontecendo nos Estados Unidos e nós tomamos conhecimento. Nós fizemos um conjunto de rock em Salvador, e a gente viajava pra todo interior, fazendo aquela coisa, assumindo mesmo, vivendo aquela coisa da época.
O Pasquim - Como é que chamava o conjunto?
Raul Seixas - Os Panteras. Porque todo conjunto daquela época tinha nome de bicho.
O Pasquim - Cantando rock?
Raul Seixas - É, Cantava rock misturado com baião. Cantava música de Luís Gonzaga também, uma coisa completamente surrealista. Não tinha nada a ver, com uma iluminação louca. E as mães tirando as crianças de perto. Diziam que eu era esquizofrênico. Uma reação incrível.
O Pasquim - Era um conjunto de quantos?
Raul Seixas - Eram quatro pessoas. Guitarra, Baixo, Bateria.
O Pasquim - Alguns desses caras tão aí tocando ainda?
Raul Seixas - Não. Um é chofer de táxi, o outro se formou em Engenharia, um tá agora nos Estados Unidos, e o outro não sei, acho que tá estudando Direito. Eu também estudei Direito.
O Pasquim - Krig-Ha, onde fica?
Raul Seixas - Krig-Ha seria um rótulo. É uma sociedade que existe hoje no mundo inteiro, com vários nomes. Aqui no Brasil nós batizamos com o nome Krig-Ha, que é o grito de guerra do Tarzan. Você deve ter lido Tarzan, né? Krig-Ha significa "Cuidado"!
O Pasquim - Bandolo é "inimigo", né?
Raul Seixas - É. Aí vem o inimigo. Tinha o dicionário de Tarzan na primeira página. Você lia e tinha a tradução. Eu sabia aquilo decorado. Mas essa sociedade promove acontecimentos. O primeiro acontecimento que essa sociedade promoveu foi o disco, o LP Krig-Ha, Bandolo!
O Pasquim - E aquele símbolo da sociedade? A chave?
Raul Seixas - Aquele símbolo é o símbolo de Amon Ra, acrescido de uma chave. Esse símbolo tem uma história interessante. Quando o Paulo Coelho, meu parceiro, estava em Amsterdã, em 67, ele tava usando um símbolo hippie no pescoço. Veio um sujeito estranhíssimo e arrancou o símbolo de peito dele e colocou esse símbolo, sem a chave: "Não é nada disso. Agora é isso." Ele ficou assustadíssimo com aquele símbolo no pescoço, mas começou a usar. E nós fomos uma vez, há pouco tempo, escrever uma peça, que nós vamos lançar para o ano. Fomos lá em Mato Grosso, numa tribo de índio. E uma barraquinha de índio tava vendendo esse mesmo símbolo. Uma coisa incrível.
O Pasquim - Inclusive com a chave?
Raul Seixas- Com a chave. Aí nós questionamos ele: "Por que você fez isso símbolo?" Era de lata. Ele falou que não sabia por quê. Aconteceu, ele fez assim. Nós batizamos o símbolo como se fosse o símbolo da sociedade.
O Pasquim - Fale um pouco mais dessa sociedade.
Raul Seixas - Como eu estava dizendo, essa sociedade promove acontecimentos. O primeiro foi o LP. O segundo foi uma procissão, que foi muito bem-sucedida, foi muito bonito. A gente levou uma bandeira na rua. Uma explosão. Porque vocês sabem que tem havido uma série de implosões. Nós saímos à rua, cantando, foi muito bonito. E a terceira foi esse show de teatro, esse show que nós estamos fazendo agora. E a Quarta vai ser o Piquenique do Papo. Nós vamos convidar todos os artistas, de todos os campos, os comunicadores, de artes plásticas, de cinema, de teatro. E vamos fazer um piquenique bem suburbano, no Jardim Botânico. Levando galinha, sanduíche. Todo mundo. Pra conversar. Um rapaz já se prontificou a fazer um discurso sobre "A Maldade das Formigas".
O Pasquim - Qual é o fim específico da sociedade? A que ela se propõe, ela segue uma "filosofia"?
Raul Seixas - Essa sociedade não surgiu imposta por nenhuma verdade, por um líder. Não houve liderança no mundo inteiro, como se fosse uma tomada de consciência de uma nova tática, de novos meios.
O Pasquim - Tática em relação a que?
Raul Seixas - Uma tática de novos métodos em relação à melhoria dos coisas.
O Pasquim - Da própria sociedade?
Raul Seixas - É, do próprio mecanismo da coisa. Nós estamos correspondendo com pessoas que fazem parte dessa sociedade, inclusive John Lennon e Yoko Ono. Eles fazem parte da mesma sociedade, só que com outro nome. Nós mantemos uma correspondência constante com eles.
O Pasquim - Voltando à tua biografia. Depois de cantor de rock lá da Bahia, como é que foi? Como é que você veio pintar aqui no Rio?
Raul Seixas - Eu estava estudando Direito, Filosofia e Psicologia. Depois eu larguei tudo quando tomei conhecimento da Antipsiquiatria. Achei maravilhoso, e larguei esse negócio de Psicologia, larguei Direito no primeiro ano, deixei a Faculdade de Filosofia também. Casei, em 67, e vim aqui pro Rio.
O Pasquim - "Inocente, puro e besta"
Raul Seixas - Exatamente. Cheguei aqui sem um tostão no bolso.
O Pasquim - Raul, você lá em Salvador, quando você fez esse conjunto de rock, em 59, ouvia o que de música? Cê ouvia rádio? Como é que era o teu pessoal, tua família? Classe média?
Raul Seixas - Classe média. Meu pai era engenheiro da estrada de ferro. Agora ele é aposentado. Minha mãe é dona de casa.
O Pasquim - Você ouvia o João Gilberto na época?
Raul Seixas - Eu gostava de João Gilberto. Eu gostava muito.
O Pasquim - Porque a Bossa Nova na época era superelitista, achava que rock era um negócio de Segunda categoria, Celly Campello etc.
Raul Seixas - Exato. Existia um certo conflito. Existiam dois grupos lá, o grupo de Rock e o grupo de Bossa Nova ali no Teatro Vila Velha. Um olhava o outro com... sabe?, meio esquisito.
O Pasquim - Você poderia explicar sua formação literária, como você chegou a esse texto?
Raul Seixas - Isso aí é uma coisa interessante. Antes de eu vir pro Rio eu pensava em ser escritor. Eu sempre escrevi. Antes de cantar, eu pensei em escrever. Eu tenho alguma coisa escrita guardada no báu, que eu penso em publicar algum dia. Eu sou muito dado a filosofias, eu estudei muito filosofia, principalmente a metafísica, antologia, essa coisa toda.Sempre gostei muito, me interessei. Minha infância foi formada por, vamos dizer, um pessimismo incrível, de Augusto dos Anjos, de Kafka, Schopenhauer. Depois eu fui canalizando e divergindo, captando as outras coisas, abrindo mais e aceitando as outras coisas. Estudei literatura. Comecei a ver a coisa sem verdades absolutas. Sempre aberto, abrindo portas para as verdades individuais. Assim, sabe? E escrevia muita poesia. Vim pra cá pra publicar.
O Pasquim - Você teve a intuição de que a música seria um veículo mais imediato de comunicação?
Raul Seixas - Essa tomada de consciência que eu tive foi há pouco tempo, uns dois anos atrás. Porque eu usava a música por música. E, por outro lado, eu queria atingir uma coisa pela literatura. Mas eu vi que a literatura é uma coisa dificílima de fazer aqui, de comunicar tão rapidamente como a música. Eu tive uma escola muito importante, que foi a CBS. Passei dois anos na CBS como produtor de discos de Jerry Adriani, de Wanderléa, daquela coisa toda de iê-iê-iê. Eu produzia disco para Trio Ternura, aquele pessoal. Foi uma vivência fantástica pra mim. Aprendi muito a comunicar.(...)
O Pasquim - Então você quer abrir uma porta na cabeça de quem está ouvindo. Não há uma hora em que fecha de repente? O perigo de fazer essas coisas, o perigo do magicismo, da maneira de dizer as coisas...
Raul Seixas - É uma escada.
O Pasquim - Mas ao mesmo tempo há perigo de você se fechar dentro do magicismo! Há esse perigo, você vê esse perigo?
Raul Seixas - Não. É uma escada, é um estágio. Nós estamos no primeiro estágio. Estamos transando com a fase "Terra" da coisa. Esse primeiro estágio tem que ser assim. O segundo estágio já é outra coisa, já é mais aberto. Não se pode começar uma coisa assim, você tem que manipular. Por exemplo, Raul Seixas. Eu tô segurando Raul Seixas ali embaixo, como uma marionete. Eu tô aqui em cima, eu sei até que ponto ele deve subir um pouquinho mais, cada vez mais. Mas nunca ele pode chegar aonde eu estou, porque se ele chegar aonde eu estou não vou comunicar mais.
O Pasquim - Esse Raul Seixas que você manipula, que está lá embaixo, é em função de quem te escuta e te vê?
Raul Seixas - Esse Raul Seixas que está no Teatro Tereza Raquel cantando esse tipo de música, fazendo iê-iê-iê realista, dando um certo toque mágico na ciosa, é necessário. Usando muito a imaginação, a intuição. Longe, fugindo do logicismo. Esse logicismo radical, kantiano, de Pascal. Eu vejo isso como um estágio.
O Pasquim - Você faz isso mais pra entender ou pra que os outros entendam?
Raul Seixas - Pra que os outros me entendam. Pra que eu penetre em todas as estruturas, em todas as "classes", em todas as faixas. Todo mundo tá cantando a A Mosca na Sopa.
O Pasquim - Eu acho que o magicismo seria uma estrelinha. Você não tem medo então de perder a linha? Você vai tanto na estrelinha que acaba perdendo a linha.
Raul Seixas - Não, que é isso? Sabe por quê? Eu tenho medo de hermetismo. Eu acho que não é mais fase de hermetismo.
O Pasquim - Mas o magicismo pode cair.
Raul Seixas - Mas é um magicismo estudado. É dosado, nego. Dosadinho.
O Pasquim - Se você não estiver muito sob controle, pode cair nisso. Isso um tremendo autocontrole, conhecimento de si próprio, senão você embarca no próprio som do que você tá dizendo. Tem que saber o que você tá fazendo.
Raul Seixas - Eu tô fazendo.
O Pasquim - É isso que preocupa, se você está consciente. Ô, Raul, como é que você vê os seus contemporâneos no Brasil? Os que fazem outras ciosas, que escrevem romances, fazem poesias, trabalham em jornal, televisão etc.
Raul Seixas - Como eu vejo a realidade? Isso aí é fogo, rapaz..
O Pasquim - Use o magicismo.
Raul Seixas - Peraí. Eu vou falar uma coisa aqui. Eu vou falar sobre os cabeludos. Eu li outro dia um negócio de Pasolini na Veja, cês leram? Achei fantástico. Você não sabe mais quem é quem. Tá aquela coisa de cabeludo, tá todo mundo estereotipado. Por isso é que faço questão de dizer que eu não sou da turma pop, que eu não tô comendo alpiste pop. Eu sei lá, eu acho que tá todo mundo de cabeça baixa, tá todo mundo Schopenhauer, todo mundo num pessimismo incrível. Essa geração audiovisual, e digo isso muito maldosamente, eu chamo eles de "audiovisuaizinhos". Minha mulher fala comigo que eu não devo fazer isso com eles, porque a garotada tá sabendo. Tá todo mundo de cabeça baixa, quieto, conformado. Eu sou um cara muito otimista nesse ponto. Sei lá, eu não sei se é a minha correspondência com o planeta, vejo coisa em termos globais. E tá realmente acontecendo uma coisa Fantástica, que é essa certeza e conscientização de que você deve ser um rato, transar de rato pra entrar no buraco do rato, vestir gravata e paletó para ser amigo do rato. E depois as coisas acontecem. Não fica de fora fazendo bobagem, de calça Levis com tachinha. Esse tipo de protesto eu acho a coisa mais imbecil do mundo, já não se usa mais. Eles tão pensando como John Lennon disse, "they think they'reso classless and free". Mas não são coisa nenhuma, rapaz, tá todo mundo comendo alpiste, tá todo mundo dentro de uma engrenagem sem controle.
O Pasquim - Quer dizer que você conclui que os intelectuais brasileiros estão muito por fora, muito devagar. Não estão dentro da realidade. Toda essa sua estratégia é para ficar amigo do rato.
Raul Seixas - Dos ratos. Há o plural.
O Pasquim - Vamos falar do tempo em que você era produtor de discos na CBS. Produzia discos de Jerry Adriani, Wanderléa...
Raul Seixas - Renato e seus Blue Caps. Eu acho muito bom, eu acho legal.
O Pasquim - A sua posição profissional era praticamente ditatorial. Como é que era tua transa pessoal com essa gente?
Raul Seixas - Eu fazia aquela cisa porque sabia que era uma coisa inconseqüente. Eu fazendo ou não, outro pessoa ai fazer. Eu estava fazendo aquele trabalho, o diretor da CBS queria, e enquanto isso ai aprendendo a usar aquele mecanismo.
O Pasquim - Você estava de rato?
Raul Seixas - Exatamente. Eu estava de rato, vestido de rato. Foi quando surgiu a idéia de eu contratar Sérgio Sampaio e Edith Cooper, que é uma boneca lá da Bahia, uma cara fantástico, muito amigo meu. Nós fizemos um disco chamado Sociedade da Grã Ordem Kavernista Apresenta a Sessão das Dez. Mas o disco misteriosamente foi retirado do mercado. Desapareceu. A CBS tirou o disco do mercado porque não era a linha CBS. Esse disco foi quando eu botei as manguinhas de fora, foi quando eu comecei a fazer o trabalho. Era um disco que mostrava o panorama atual, o que tava acontecendo, o caos toda daquela época. O caozinho bonitinho que tava acontecendo naquela época. Eu gravei jazz com The Fevers, gravei marchinhas. Guilherme Araújo acha que o disco é precursor dos Novos Baionos. É um disco bem brasileiro, sabe?
O Pasquim - Com Miriam Batucada.
Raul Seixas - Miriam Batucada no meio vestida de Super-Homem. Foi naquela fase do hippie, aquela coisa toda. Adoro o disco, acho sensacional. Acho inclusive mais bonito do que esse que gravei agora.
O Pasquim - Aí você foi expulso da CBS.
Raul Seixas - Fui expulso em função desse LP. E também porque eu fui no Festival Internacional da Canção, cantar Let Me Sing.
O Pasquim - Eles não queriam isso?
Raul Seixas - Não. Eles disseram: "Ou você é produtor ou você é cantor. "Eu tinha que optar.
O Pasquim - Raul, o que te levou até o hermetismo? O que você andou fazendo de coisas herméticas, e o que te deu a noção do equilíbrio?
Raul Seixas - Foi o primeiro LP que gravei na Odeon. Foi um LP louco, rapaz. Um LP extremamente filosófico, metafísico, ontológico, que falava em sete xícaras, ou seja, as sete perguntas aristotélicas. Ou seja, as fontes do conhecimento.
O Pasquim - Vendeu quanto?
Raul Seixas - Nada.
O Pasquim - Foi quando isso?
Raul Seixas - Em 67. Logo que eu cheguei aqui fui contratado pela Odeon.
O Pasquim - Como é que chamava o disco?
Raul Seixas - Raulzito e seus Panteras.
O Pasquim - A Odeon vai reeditar agora?
Raul Seixas - Vai reeditar? Mas que absurdo. Esse disco falava por quê? Pra quê? Porque o azul é azul, o lilás é lilás. Uma loucura, porque o mel é doce. De que o mel é doce/ é coisa que eu me nego a afirmar/ mas que parece doce/ é coisa que eu afirmo plenamente.
O Pasquim - Sobre o teu relacionamento com o Jerry Adriani. Ele tinha falado, numa entrevista para Opinião, tinha se colocado como um cara que te protegeu, que te recebeu aqui no Rio, que te fez.
Raul Seixas - Foi sim, Foi, porque eu cheguei aqui sem um tostão no bolso. Meu pai tinha uma fabricazinha de materiais elétricos. Quando eu casei, ele me deu um carro, um apartamento. Ele me deu o trabalho de sócio, lá em Salvador, da sua fábrica.
O Pasquim - Você ainda é sócio?
Raul Seixas - Não, eu larguei tudo. Passei uma semana de lua-de-mel no apartamento que ele me deu; depois vim pro Rio sem um tostão. O Jerry me chamou e eu fui ser pandeirista, tocar pandeiro pra Jerry Adriani. Eu tocava pandeiro, depois guitarra, contrabaixo, e fazia os arranjos para as músicas dele. Foi assim que eu comecei. Fiquei aqui um certo tempo, tocando com o Jerry. Mas depois nada deu certo. Passei dois anos de fome na Cidade maravilhosa, como eu disse na música Ouro de Tolo. Depois voltei pra Bahia, me tratei um ano e pouco com psiquiatra. Completamente pirado. Voltei pra morar com meu pai. Já casado. Ele tinha vendido o apartamento que tinha me dado, tinha se aborrecido comigo.
O Pasquim - Você tem filhos?
Raul Seixas - Tenho uma filha.
O Pasquim - E irmãos?
Raul Seixas - Tenho um irmão. Então eu voltei a morar lá com eles. Eu dei uma de doido, comecei a estudar Filosofia de novo. Ficava trancado num quarto, acendia a luzinha vermelha. Estraguei minha vista por causa disso, e tive que usar óculos. Eu ficava lá o dia inteiro, não falava com ninguém. Quem me sustentava era minha mulher, que ensinava inglês no Yázigi. Ela é americana. E quando ela juntou uma bolada de dinheiro para a gente comprar um apartamento, pra ver se a gente saía da casa de meus pais, eu comprei uma motocicleta. Saía pelas ruas às cinco da manhã, feito um louco, debaixo da chuva, gritando em cima da motocicleta. Eu estava louco. Inclusive é uma fase meio obscura que eu não consigo me lembrar direito. Foi uma barra. Depois chegou o diretor da CBS e falou: "Olha, você trabalhava com o Jerry, você fez uma música muito boa pra ele que chama Tudo Que É Bom Dura Pouco. Vocês se lembram dessa música? "Eu sei que tudo que é bom dura pouco".
O Pasquim - Qual foi a influência que sua mulher teve em você?
Raul Seixas - Ela é filha de um pastor protestante. Ela é muito versada na Blíblia, tocava órgão na igreja. O pai dela viajava muito pelo mundo inteiro, pregando. Mas ela teve sempre uma posição que não era muito a posição do pai dela; ela tinha uma visão mais aberta da coisa. Quando ela me conheceu, sei lá, é coisa mesmo de entrosamento. Uma influência fantástica que ela exerceu sobre mim foi a cultura bíblica, que eu acho uma coisa interessantíssima. E ela participa também do trabalho. Ela faz luz, cenário, ela é quem transa as minhas roupas, compõe comigo. Ela participa, e a gente transa muito junto.
O Pasquim - Em 59, você fazia rock na Bahia. Você conheceu Caetano e Gil na Bahia?
Raul Seixas - Conheci o Gil.
O Pasquim - Isso foi antes do tempo de Gessy- Lever?
Raul Seixas - Do tempo que eu fazia jingle também. Só que eu fazia jingle rock e ele fazia jingle bossa-nova. A gente se conhecia, 56, 60, por aí.
O Pasquim - Depois desse contato, como é que foi ficando? Distante?
Raul Seixas - Era uma coisa lá e outra aqui. Nós tínhamos um lugar, o cinema Roma, onde a gente promovia shows de rock.
O Pasquim - Bossa Nova não?
Raul Seixas - Bossa Nova era no teatro Vila Velha. Era uma coisa bem separada mesmo. Existia um conjunto lá, a Orquestra de Carlito, com Caetano e Gil. E existia Os Panteras. Duas completamente diversas. Mas no fundo eu acho que tava todo mundo querendo chegar à mesma coisa, era só problema de linguagem.
O Pasquim - Esse contato ainda existe?
Raul Seixas - Claro, claro. Desde o tempo da Tropicália que a gente começou a ver que era isso mesmo, que todo mundo queria mesma coisa.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

2ª edição

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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Revista CapeTITITI - maio 2010

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Beatlemania

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Aos que curtem os Beatles... segue um presentinho.

A Day in the Life
A Hard Day's Night
A Taste of Honey
Across The Universe
Act Naturally
All I've got to Do
All My Loving
All Together Now
All You Need Is Love
And I Love Her
And Your Bird Can Sing
Anna (Go To Him)
Another Girl
Any Time At All
Ask Me Why
Baby It's You
Baby You're A Rich Man
Baby's in Black
Back In The USSR
Bad Boy
Because
Being for the Benefit of Mr. Kite!
Birthday
Blackbird
Blue Jay Way
Boys
Can't Buy Me Love
Carry That Weight
Chains
Come Together
Cry Baby Cry
Day Tripper
Dear Prudence
Devil In Her Heart
Dig A Pony
Dig It
Dizzy Miss Lizzie
Do You Want to Know a Secret
Doctor Robert
Don't Bother Me
Don't Let Me Down
Don't Pass Me By
Drive My Car
Eight Days a Week
Eleanor Rigby
Every Little Thing
Everybody's Got Something to Hide Except For Me and My Monkey
Everybody's Trying to be My Baby
Fixing a Hole
Flying (instrumental)
For No One
For You Blue
Free As A Bird
From Me To You
Get Back
Getting Better
Girl
Glass Onion
Golden Slumbers
Good Day Sunshine
Good Morning, Good Morning
Good Night
Got To Get You Into My Life
Happiness is a Warm Gun
Hello, Goodbye
Help
Helter Skelter
Her Majesty
Here Comes The Sun
Here, There And Everywhere
Hey Bulldog
Hey Jude
Hold Me Tight
Honey Don't
Honey Pie
I Am the Walrus
I Call Your Name
I Don't Want to Spoil the Party
I Feel Fine
I Me Mine
I Need You
I Saw Her Standing There
I Should Have Known Better
I Wanna Be Your Man
I Want To Hold Your Hand
I Want To Tell YouI Want You (She's So Heavy)
I Will
I'll Be Back
I'll Cry Instead
I'll Follow the Sun
I'll Get You
I'm a Loser[
I'm Down[
I'm Just Happy to Dance with You
[I'm Looking Through You
I'm Only Sleeping
I'm so tired
I've Got A Feeling
I've Just Seen a Face
If I Fell
If I Needed Someone
In My Life
It Won't Be Long
It's All Too Much
It's Only Love
Julia
Kansas City/Hey, Hey, Hey, Hey
Komm Gib Mir Deine Hand
Lady Madonna
Let it Be
Little Child
Long Tall Sally
Long, Long, Long
Love Me Do
Love You To
Lovely Rita
Lucy in the Sky with Diamonds
Maggie Mae
Magical Mystery Tour
Martha My Dear
Matchbox
Maxwell's Silver Hammer
Mean Mr. Mustard
Michelle
Misery
Money (That's What I Want)
Mother Nature's Son
Mr. Moonlight
No Reply
Norwegian Wood
Not a Second Time
Nowhere Man
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Octopus's Garden
Oh! Darling
Old Brown Shoe
One After 909
Only A Northern Song
P.S. I Love You
Paperback Writer
Penny Lane
Piggies
Please Mister Postman
Please Please Me
Polythene Pam
Rain
Real Love
Revolution 1
Revolution 9
Rock and Roll Music
Rocky Raccoon
Roll Over Beethoven
Run For Your Life
Savoy Truffle
Sexy Sadie
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)
She Came In Through The Bathroom Window
She Loves You
She Said, She Said
She's A Woman
She's Leaving Home
Sie Liebt Dich
Slow Down
Something
Strawberry Fields Forever
Sun King
Taxman
Tell Me What You See
Tell Me Why
Thank You Girl
The Ballad of John And Yoko
The Continuing Story of Bungalow Bill
The End
The Fool On The Hill
The Inner Light
The Long And Winding Road
The Night Before
The Word
There's A Place
Things We Said Today
Think For Yourself
This Boy
Ticket to Ride
Till There was You
Tomorrow Never Knows
Twist and Shout
Two of Us
Wait
We Can Work It Out
What Goes On
What You're Doing
When I Get Home
When I'm Sixty-Four
While My Guitar Gently Weeps
Why don't we do it in the road
Wild Honey Pie
With a Little Help From My Friends
Within You Without You
Words of Love
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Yer Blues
Yes It Is
Yesterday
You Can't Do That
You Know My Name
You Like Me Too Much
You Never Give Me Your Money
You Really Got a Hold on Me
You Won't See Me
You're Going to Lose That Girl
You've Got to Hide Your Love Away
Your Mother Should Know

The Beatles video from Albums:
Please Please Me
With The Beatles
A Hard Day's Night
Beatles For Sale
Help!
Rubber Soul
Revolver
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
Magical Mystery Tour
The Beatles - White Album
Yellow Submarine
Abbey Road
Let It Be
Past Masters Volume 1
Past Masters Volume 2

Gafes ou burrice mesmo?

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Activa com Johnny Walker??? que nada!!

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Misture Activia com Sazón e cague com amor...

Misture Activia com a Telesena e to cague de hora em hora..

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Misture Activia com a Xuxa e to cague Monange...

Misture Activia com o casal Nardoni e cague pela janela...


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Misture Activia com Jack Bauer e cague 24h...

Misture Activia com Luan Santana e cague meteoros.

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Misture Activia com a Tim e cague sem fronteiras...

Misture Activia com o SAC e to demore 3 horas pra cagar...

Misture Activia com Rubinho Barrichelo e nunca cagará...

Misture Activia com Viagra e cague duro...

Misture Activia com Omo e descobra que se sujar faz bem

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Misture Activia com Sandálias Ipanema e faça coco anatomico

Misture Activia com doriu e seu coco sumiu.

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Misture Activia com a OI e cague Simples Assim.

Misture Activia com o Itaú e cague Feito para você.

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Misture Activia com o novo comercial da Seara que seu coco sairá dançando 'Singles Ladies' e fazendo embaixadinha (ootima)

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Misture Activia com a Dona Florinda e seu coco não se misturará com essa gentalha.

Ae siiii

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Bob Marley e Chico Buarque no RJ

 

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